Colégio com nome de ditador é “rebatizado” em Cascavel

O Colégio Estadual Presidente Costa e Silva, no Jardim Maria Luiza, em Cascavel, foi ‘rebatizado’ nesta terça-feira (18/03) com o nome de Edson Luis de Lima Souto, estudante assassinado há 46 anos durante os chamados ‘anos de chumbo’. A ação simbólica é alusiva aos 50 anos do golpe que instaurou o regime militar em 1º de abril de 1964 e faz parte dos atos que antecedem a audiência pública da Comissão Estadual da Verdade em Cascavel, que será realizada nos dias 20 e 21.


Estudantes homenagearam o estudante Edson Luis [foto: Júlio Carignano]

O Colégio Estadual Presidente Costa e Silva, no Jardim Maria Luiza, em Cascavel, foi ‘rebatizado’ nesta terça-feira (18/03) com o nome de Edson Luis de Lima Souto, estudante assassinado há 46 anos durante os chamados ‘anos de chumbo’. A ação simbólica é alusiva aos 50 anos do golpe que instaurou o regime militar em 1º de abril de 1964 e faz parte dos atos que antecedem a audiência pública da Comissão Estadual da Verdade em Cascavel, que será realizada nos dias 20 e 21.
Ainda que não tenha validade legal para mudança de nome do colégio, uma vez que para isso é preciso uma legislação ou decreto governamental, o ato foi uma tentativa de reescrever a história, denunciando àqueles que foram agentes de um dos momentos mais tristes da história de nosso país, como explica Elio Ribeiro Junior, presidente da ACES. “Esse é um ato de repúdio contra um ditador fascista que nunca pagou pelos crimes que cometeu e uma homenagem ao Edson Luis, um símbolo da resistência contra a ditadura”, explica Juninho, como é conhecido o novo presidente da entidade secundarista.
Edson Luis tinha a mesma idade que Juninho, 18, quando foi morto, e assim como o cascavelense, também atuava em uma entidade estudantil municipal. O assassinato do secundarista, em 28 de março de 1968, durante conflito entre estudantes e policiais no restaurante Calabouço, no centro do Rio de Janeiro, foi um dos marcos na luta contra a ditadura militar, causando uma grande comoção pública. O também estudante Benedito Frazão, também foi atingido na ocasião e morreu no hospital.
Após ser morto, Edson Luis teve seu corpo levado por estudantes até a Assembléia Legislativa do RJ e velado à noite. Mais de 50 mil pessoas compareceram ao enterro, entoando gritos de ordem contra o governo e a violência e uma delas se espalhou nas faixas, cartazes e na boca do povo carioca: “Mataram um estudante. Podia ser seu filho!””. O velório foi cercado pela PM, agentes do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e militares que provocavam os manifestantes com bombas de gás.
Costa e Silva
O Marechal Artur da Costa e Silva, militar e político da Arena (Aliança Renovadora Nacional) foi o segundo presidente do regime militar, no período entre 5 de março de 1967 e 31 de agosto de 1969. Seu governo iniciou a fase mais dura do regime ditatorial, à qual o general Emílio Garrastazu Médici, seu sucessor, deu continuidade. Sob o governo Costa e Silva foi promulgado o AI-5, que lhe deu poderes para fechar o Congresso Nacional, cassar políticos e institucionalizar a repressão, seja por meio de censura a órgãos de comunicação ou pela tortura de militantes.
Além do Costa e Silva – no Jardim Maria Luiza – outra escola em Cascavel leva o nome de um ditador, o Colégio Estadual Castelo Branco, no Parque São Paulo, em alusão ao primeiro presidente do regime, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.
Segundo levantamento do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), os 34 presidentes da história do Brasil dão nome a 3.135 escolas do ensino básico na rede pública. Destas, 976 unidades tem nomes de presidentes da ditadura militar (1964 a 1985).
Bahia
Em fevereiro deste ano, o Governo da Bahia mudou oficialmente o nome do Colégio Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici para Carlos Marighella. A mudança foi motivada após solicitação de alunos, ex-alunos, professores, pais e responsáveis, além da diretoria da unidade.
O grupo realizou uma votação em novembro de 2013 entre os envolvidos com a instituição e a partir da votação, foi encaminhado um documento oficial para que a mudança fosse efetivada. Durante a votação o nome do militante e ex-deputado constituinte baiano Carlos Marighella teve 406 votos e venceu o do geógrafo Milton Santos, que obteve 128. Houve ainda, 27 votos brancos e 25 nulos.
Ato no colégio estadual Costa e Silva

Junior, Marlon e Dionésio, integrantes da ACE

 

Fonte: http://sitiocoletivo.blogspot.com.br/2014/03/colegio-com-nome-de-ditador-e.html